segunda-feira, 14 de março de 2011

Arquidiocese celebra abertura da
Campanha da Fraternidade 2011

Arquidiocese de São Paulo celebrou o início da Quaresma com a missa na Catedral da Sé, nesta Quarta-feira de Cinzas (9). A celebração também marcou a abertura da Campanha da Fraternidade (CF) 2011, com o tema “Fraternidade e a Vida no Planeta”, com o lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8, 22).

A missa foi presidida pelo cardeal arcebispo, dom Odilo Scherer, e concelebrada pelo arcebispo emérito, cardeal dom Cláudio Hummes, pelos bispos auxiliares e inúmeros padres. Também estavam presentes a prefeita em exercício da capital Alda Marco Antonio, e o secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas.

Na homilia, dom Odilo explicou que o Tempo da Quaresma convida os cristãos a olharem para a Páscoa, uma vez que é um período de preparação para celebrar a Páscoa do Senhor.

Ele explicou, ainda, que a Igreja propõe o rito penitencial das cinzas como um gesto concreto e significativo da penitência da qual os cristãos são chamados a viver. “De fato, nossa vida passa. Nossas realizações passam. Tudo vira pó e cinzas. E, por isso, somos convidados a procurar aquilo que dura, que não vira pó”, afirmou, referindo-se ao valor eterno do Reino de Deus. “Tudo isso nos convida para olharmos com realismo para vida, para buscar aquilo que na vida é essencial”.

O cardeal também recordou as três grandes práticas ressaltadas no período quaresmal: a esmola, o jejum e a oração. “O jejum, naturalmente, expressa a busca do absoluto de Deus acima dos bens da terra [...]. A esmola indica toda a caridade, a solidariedade para com o próximo. A Oração indica a busca da convivência, da comunhão com Deus para que possamos ser dignos filhos seus”.
Ao falar sobre o tema da CF, dom Odilo salientou a responsabilidade do ser humano com o planeta. “A Terra é o ninho da vida no universo. Que grandiosidade, que riqueza de expressões de vida, de condições de vida. Maravilha de Deus colocada em nossas mãos”, manifestou.

Por fim, o arcebispo reforçou que cuidar bem da natureza é questão de justiça e solidariedade para com o próximo. “Todo nosso gesto de intervenção na natureza tem conseqüências para os outros. Por isso mesmo, nossas atitudes devem ser responsáveis na relação com a natureza. Sobretudo os mais pobres são os que mais sofrem com a relação errada da humanidade com a natureza”, chamou a atenção.

Após a comunhão, foi lida a mensagem que o papa Bento 16 enviou ao Brasil, por ocasião da Campanha da Fraternidade.

No final da celebração, dom Odilo entregou o o texto-base da CF aos representantes das regiões episcopais. O coordenador arquidiocesano da CF, Edson Silva, explicou que tanto a coordenação arquidiocesana, quanto nas regiões episcopais, já realizaram inúmeras capacitações para os agentes de pastorais. “Ao iniciarmos esta Quaresma, esse mutirão de multiplicadores estará nas paróquias, nos bairros, nas associações, reforçando o trabalho pastoral de uma Igreja em missão”.


Entrevista coletiva

Antes da missa, na tradicional entrevista coletiva concedida pelo arcebispo no início da CF, dom Odilo Scherer explicou aos jornalistas sobre tema deste ano. Ele disse que a atualidade do tema, bem como sua abordagem nas conferências mundiais sobre o clima e as preocupações sobre as mudanças climáticas, sobretudo o aquecimento global e suas consequências, motivaram a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a escolher este tema.

Ao falar sobre o lema – “A criação geme em dores do parto” – dom Odilo explicou que a expressão se refere às consequências que a natureza toda sofre quando o ser humano possui uma “relação errada com a Terra, com a natureza, fazendo com que a natureza sofra”.

“O aquecimento global faz desencadear uma série de convulsões e de desequilíbrios ambientais, portanto, a própria criação, a natureza também geme pelas consequências dos erros humanos e geme esperando pela sua libertação. As dores de parto são dores de esperança, dores que precedem o nascimento de uma vida nova, e que, portanto, essas dores de parto da natureza, e despertada a consciência nossa possam ajudar a surgir um mundo mais bonito, cheio de vida e mais preservado”, disse o arcebispo.

Dom Odilo também citou a encíclica Caritas in Veritate, do papa Bento 16, ao se referir à ecologia humana. A ecologia humana deve ter, em primeiro lugar, a preocupação de fazer com que o homem viva corretamente [...]. É preciso reaprender a viver e a conviver com o ambiente, um estilo de vida mais sóbrio, com menos desperdício, com menos vontade de acúmulo de coisas, e menos consumo de bens, que absolutamente não acrescentam nada, simplesmente pela vontade de consumir.

Por fim, o arcebispo convidou os profissionais da imprensa a fazerem sua parte na divulgação do tema da CF. porque é um tema que não é simplesmente do interesse de uma comunidade religiosa. “A Igreja Católica no Brasil põe esse tema para reflexão de toda a sociedade, querendo contribuir para criar, desenvolver sempre mais uma cultura respeitosa e harmônica de convivência com a natureza”.

Fonte: Arquidiocese de São Paulo.



Fonte: Arquidiocese de São Paulo.

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